Pesqueiros do Brasil, a história!

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Conheça a trajetória dos pesqueiros no Brasil, desde a época em que o objetivo dos pescadores era levar o máximo possível de peixes para casa pagando pouco, até os tempos atuais, onde o crescimento da pesca esportiva nos oferece a oportunidade de duelar com verdadeiros gigantes dos rios!

 

 

 

No começo, muitos não queriam nem ouvir falar de “pesque e pague”, mas como tudo tem seu tempo, de vilão a herói, essa realmente é a palavra certa, herói.

A maioria dos pesqueiros no Brasil e principalmente em São Paulo, surgiram na década de 80, com o pretexto de abrir um lago no seu sitio para tirar um lazer de final de semana, começando assim a história dos pesque-pagues .

Depois do lago ficar pronto, família e amigos se divertem no sitio.


Todos se divertiam com Tilápias, Traíras, Carás e Lambaris e poucos lagos tinham exemplares de Pacus.

Logo, os amigos dos amigos também vinham pescar e a situação começava a ficar insustentável. Depois, pessoas estranhas queriam pagar para pescar, começando assim a idéia de expandir os lagos, e de lazer a negócio foi um pulo, onde surgiram os primeiros pesque e pagues do Brasil. Era hora de aumentar os tanques para atender a demanda.


Aos poucos, grandes e profundos lagos foram surgindo, e com eles vinha a esperança de unir lazer e negócio.

Os primeiros peixes a chegarem nos pesqueiros foram as Tilápias, Pacus, Bagres Clarias, Carpa Comum, Espelho, Cabeçuda Capim, Cat fish e Piauçu.


Tilápias

Pacu

Bagre Clarias (africano)

Carpas Húngaras e Comuns

Carpa Capim

Carpa Cabeçuda

Até chegar na ponta da linha do pescador, o peixe passa por várias fases. Vamos mostrar passo a passo, para exemplificar, a produção de alevinos do Tambacu. Como nasce este hibrido, um dos grandes troféus do pescador de pesqueiro, espécie que falaremos mais tarde.

Pesagem da fêmea de Tambaqui

Aplicação de hormônio natural na fêmea para a indução artificial

Desova da fêmea de Tambaqui

Depois de passar por um processo de pesagem dos óvulos


Espermeação dos óvulos de Tambaqui com sêmen de Pacu para a formação do Tambacu

Homogenizaçao dos óvulos e sêmen para que ocorra a fertilização

Larvas de Tambacu em estágio avançado

Alevinos

Alevino juvenil de Tambacu

Depois de algum tempo, os peixes chegam nos pesqueiros.

No início, o sistema mais adotado nos pesqueiros era o pesque e pague, onde o pescador pagava pelo quilo do peixe pescado, e o sistema pague e pesque, onde o pescador pagava uma taxa e o que pescava levava pra casa.

Este segundo sistema virou uma febre entre os pescadores, uma verdadeira invasão aos pesqueiros, pois na época com vinte a vinte e cinco reais você poderia voltar pra casa com trinta a quarenta kg de peixe.

Verdadeiras filas se formavam na porta do pesqueiros!

Um dos pioneiros no Brasil foi o Pesqueiro Nene Oliani em Socorro-SP. Vários surgiram um pouco depois e na década de 90 realmente foi que o “bicho pegou”.

Pesqueiro dos Amigos em 1994, Califórnia em 1995, o Pesqueiro Pedra Branca (o primeiro do grande Abc), como não falar do Pesqueiro Irmãos Hara também de 95, o berço das grandes Cabeçudas, Pesqueiro Alto da Serra, onde impressionava a chegada de pescadores as 23 horas para pescar no outro dia as 6 da manhã. Também o Pesqueiro Betini, Pesqueiro da Keiko, que até hoje adota o mesmo sistema. Um dos pesqueiros também que reunia muitos fanáticos, principalmente atrás das gigantes Carpas Cabeçudas e também das novidades (Pintados, Tambacus e Cat Fishs) era o Pesqueiro da Marlene, hoje o famoso Tio Oscar, abaixo o anúncio do pesqueiro na época.


Confira outros pesqueiros da época

Nene Oliani, um dos primeiros do Brasil.



Pesqueiro Alto da Serra


Anúncio do Lagoa dos Patos nos anos 90


Imaos Hara, avaliado pela revista Troféu Pesca


Guia Pesqueiro e sua página de Recordes

Com o aumento dos pesqueiros no Brasil, a demanda das psiculturas também crescia no mesmo ritmo, e novas espécies começavam a surgir, onde percorrendo poucos km já poderiamos fisgar espécies da bacia do prata, tal como: Pintado, Cachara, Piraputanga, Pacu, Jurupensem, Dourado e Piauçu.

Depois teve a chegada do hibrido Tambacu, que se tornaria uma sensação na pesca.



Dourado

Tilápia Saint Peter


Carpa Cabeçuda


Gigantescas psiculturas

Tanque rede

O Pesqueiro Pantanosso, que nesta época adotava o sistema de pesque e pague, também já prometia ser um dos melhores. Ali já poderíamos observar o que hoje também é uma febre, dezenas de bóias cevadeiras cortando o lago e caindo em ótimas estruturas em baixo das árvores. Muitas caiam em cima mesmo dos galhos, formando uma estética natalina. O pesqueiro foi criando um grande prestigio e até os famosos pescavam por lá.


Sérgio Reis, Ana Maria Braga e uma bela Rainha

Fisiculturista Mauro Silva

Jogador Gamarra

Recentemente o cantor Michel Teló

Mas o Pantanosso não parou por ai! Em seu lago principal foram introduzidos dois exemplares de Tarpon, peixe de água salgada e salobra. Um deles morreu anos depois, porém o outro exemplar nunca mais foi visto. Fica ai um desafio! Existe o mistério: onde está este Tarpon?


Tarpon, o rei prateado

Da queda ao ressurgimento, uma nova cultura

Os anos foram passando e muitos pesqueiros começaram a adotar o sistema de pesque e pague. Inúmeros pescadores começaram a se afastar, pois no final a conta ficava muito alta, já não podiam trazer para casa uma enormidade de kilo de peixes. No mesmo momento, muitos pesqueiros e pescadores sofriam com assaltos (eu mesmo fiquei em poder de ladrões por mais de 30 minutos na porta de um pesqueiro) e isso se tornaria uma constante.

No final dos anos 90, aliado a mudança de sistema e a queda de movimento, muitos pesqueiros não aguentaram e fecharam suas portas, enquanto outros ainda sufocados sobreviveram.

Nesta mesma época, alguns programas de televisão do segmento da pesca esportiva surgiram e arrastavam muitos fãs para a telinha. Muito espantados, viamos pescadores soltarem seus peixes, numa atitude até então nunca vista no país. Rubens Almeida Prado, o Rubinho, foi o precursor do pesque e solte no Brasil.

Alguma coisa estava mudando e parecia ser para muito melhor. Rubinho servia como exemplo de carisma e as pessoas começaram a se identificar com ele.

O tempo passou mais um pouco e alguns pesqueiros com acompanhamento de biólogos foram introduzindo o pesque e solte. A pesca esportiva começava a aparecer por aqui definitivamente. Muitos ainda tinham um pé atrás, mas aos poucos esta modalidade cresceria e mais adeptos apareceriam.

O preconceito ficava de lado, o que importava era ter a briga na ponta da linha, depois o importante também seria liberar o peixe pra vida! Os pesqueiros descobriram então uma fórmula de atrair seus apaixonados novamente, agora com outra cultura. Novos investimentos nas psiculturas, novos híbridos surgiriam, como: Pincachara, Cachapira. Outros gigantes também vieram, como a Pirarara, o peixe mais colorido da bacia amazônica, Pirarucus e ate Jaús.

Outros também foram aparecendo em menor escala: Jundiá, Tucunaré, a esportiva Piracanjuba, Corimba, Black Bass etc.

Uma curiosidade é o hibrido Pincachara, originária do cruzamento entre o Pintado com a Cachara. Como o crescimento de ambos era muito lento com alimentação a base de ração, após realização de estudos, descobriram que cruzando as espécies, o peixe se alimentaria melhor, crescendo mais e cobrindo a demanda de peixarias, restaurantes e pesqueiros.

Outro peixe que nunca poderíamos imaginar também apareceu!

Pirarucu

Novamente os pesqueiros começam a receber batalhões de pescadores, alguns já iniciam reformas, outros já estruturados aumentam seu lagos, tudo que envolve o segmento cresce, lojas de pesca, novos produtos, e também muitos que haviam sumido ressurgem numa nova esperança.

A pesca esportiva nos pesqueiros vem como uma nova atitude. Famílias inteiras também aparecem, pois aliando pesca e lazer os pesqueiros descobriram também um outro público.

Os programas de televisão também iniciam uma série de artigos sobre pesqueiros, sites também ajudam a alavancar a modalidade, dos principiantes aos mais experientes sempre clicam para saber as novidades. Com o crescimento da internet no Brasil e uma vasta opção de informação, agora começa a concorrência, e quem só ganha com isso são os pescadores. Verdadeiros monstros são fisgados, peixes gigantes fazem a alegria de todos, excelentes hotéis-fazendas são construídos e a pescaria ficou muito melhor.

Alguns gigantes como estes seriam uma constante nas pescarias.

Fernando de Paiva, Tambacu no Pesqueiro Taquari

Kleber Sanches, Pirarara no Pesqueiro Córrego das Antas


Márcio Giannico, Carpa Cabeçuda no pesqueiro Vale Verde

Edson Paes, Tambaqui no Córrego das Antas

Edgard Paiva, Tambacu na Pousada Quatro Estações

Márcio Giannico, Pincachara no Pesqueiro Feroz

Enormes estruturas!

Pesqueiro Lagoa do Patos

Pesqueiro Maeda

Centro de Pesca Taquari

Pesqueiro e pousada Tio Oscar

Em Minas Gerais, um hotel-fazenda cheio de grande Tambacus, a Pousada Quatro Estações

Pesqueiro Córrego das Antas, gigantes na ponta da linha!

Pesqueiro Pantanosso

O Pesqueiro dos Amigos, com um lago só de Carpas

Outros também surgiram com menos estruturas, mas com muito peixe. Diversas opções, perto dos grandes centros, alguns mais distantes, logo pesqueiros formam times ou equipes e campeonatos são organizados.


Além de torneios, algumas prefeituras de pequenas cidades, aproveitam os grandes lagos e soltam peixe para a alegria da população.

Com tanta gente pescando, os grandes peixes vão aparecendo, exemplares de dez a vinte kgs se tornam comuns de capturar, mas até hoje nos pesqueiros do Brasil, depois de algumas pesquisas, os maiores exemplares capturados foram:

Record brasileiro homologado, Tambacu de 37 kg

Creio eu que este recorde já foi batido, mas não homologado.

Carpa cabeçuda 60kg, record não homologado

Realmente nos pesqueiros atualmente a pescaria mais praticada é a com bóias cevadeiras e torpedos atrás dos redondos (Tambaquis, Tambacus, Pacus) por consequência um dos peixes mais procurados, seguidos pelas Tilápias e as Carpas Cabeçudas,  espécie esta também que reúne inúmeros fanáticos. Outra pescaria que cresce muito são as de peixes de couro, tal como Pirarara, Pintado, Pinchacara, Cachara, Cachapira etc.

Com certeza, em breve novas espécies surgirão, novos híbridos irão fazer a linha cantar e a magia da pesca estará mais perto possível do pescador. A consciência de preservação acerta em cheio estes loucos por pesca que se espalham pelo Brasil e desejamos que nossos peixes possam ser fotografados e liberados, que nossas matas ciliares continuem em seus lugares.

ABRAÇO A TODOS

Imagens: arquivo pessoal e internet

Texto: Márcio Giannico

E-mail: marcio@loucosporpesca.com.br

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14 Comentarios to “Pesqueiros do Brasil, a história!”

  1. Márcio says:

    parabéns ao site pela ótima e interessante matéria,legal saber dos pesqueiros pioneiros e das historias deles,muito legal.

  2. Kleber Sanches says:

    Não poderia deixar de comentar sua matéria meu grande amigo Márcio Giannico. Gostei demais do tema, tanto que aprovei sua idéia logo que me revelou sua intenção. Parabéns! Vc deu um show e mostrou que realmente sabe do que está falando. Muito legal mostrar onde tudo começou, os sistemas adotados antes, até chegarmos nos dias de hoje com muitos gigantes na pesca esportiva! Bacana a valorização do Rubinho também, este cara despertou o interesse pela pesca em muita gente, inclusive em mim. Um site não se faz só de matérias de pescaria, mas sim de conteúdo, dicas, etc. Show!!! Abração

  3. felipe silva says:

    show de bola kleber!

    que materia fantastica,parabens!

  4. Victor says:

    Que show de materia do loucos !!! Conheço a maioria desses pesqueiros e vejo a evolução que ocorreu durante esse periodo super bem relatada !!! Parabens loucos pela materia maravilhosa !!!

  5. Dionisio says:

    Ótima matéria Marcio… Gostei de saber um pouco mais sobre a história dos pesqueiros, com era no começo, bem legal.

  6. Fernando facchin says:

    ótima matéria, me fez lembrar dos pesqueiros q pescava quando criança com meu avô aki na região de campinas, como o pesqueiro do pedrinho em 1995 1996, depois começamos a frequentar o planet fish um dos primeiros a introduzir a pesca esportiva na região de campinas depois foi o pesqueiro do nelsão, santo antonio e por ai vai

  7. Roberto Pradas says:

    Ótima Matéria!!!!!

  8. Paulo Cesar says:

    Vale Marcião,
    bela matéria e sempre bom a gente dar um olhadinha pra tráz e ver
    como tudo começou. Antigo Pesqueiro da Marlene, caracas tô ficando
    velho mesmo, he he he…
    Saudações Alvi Verde e abços do Gordo…!!!

  9. Thiago Loureiro says:

    Ola Kleber ! Quanto tempo! Parabéns, gostei muito do texto…Nós biólogos ficamos felizes de ver nosso trabalho sendo exposto ao público! Abraços

  10. Fernando says:

    Gostaria de parabenizá-los pela grande matéria e conhecimento sobre o assunto. A leitura de um texto com tamanha fartura de informações, me faz acreditar que a pesca esportiva deve crescer muito nos próximos anos.

    Abraços a todos loucos.

  11. Thiago says:

    Simplesmente sensacional essa materia, vou divulga-la no facebook, pois achei umas das melhores do site de pesca

  12. Marcinho says:

    valeu pessoal pelos comentários, tentei passar um pouco do que acompanhei nestes anos de pesqueiros no Brasil, sei que em termos de pesca esportiva estamos engatinhando, mas tambem sei que vamos chegar em ótimos resultados, pois a tendencia de estruturas cada vez melhores, e a consciência da importância do pesque solte.

    grande abraço

    Marcinho loucos por pesca

  13. henrique says:

    kleber eu gostaria de saber se uma vara yume blade e uma carretilha brisa gto da para levar em pesqueiros com o castelinho em piracicaba

  14. George Martiliano says:

    Matéria incrível !! Nos faz relembrar os velhos tempos das varinhas de bambú no riacho grande. velhos e bons tempos em que pescávamos as velhas e conhecidas tilápias e ficavamos todo orgulhosos quando conseguíamos pegar algumas “grandes” que raramente passavam de 500gr. rsrs
    Pescar é tudo de bom, pesca consciênte, fotografar e soltar, não existe coisa melhor, pescar com as dicas dessa família abençoada que é a família “Loucos por Pesca” é impar !!

    Parabéns á toda família “Loucos”.

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