QUE SOEM AS TROMBETAS!

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Um curso d’água de nome intrigante. Pela primeira vez nessas águas e região amazônica, ficamos admirados com a diversidade de vida encontrada. O suntuoso rio demonstra características únicas e peculiares. O Rio Trombetas foi generoso e soube nos presentear com uma bela estadia e peixes fantásticos.

 

 

 

O RIO TROMBETAS – HISTÓRIA E CARACTERÍSTICAS

Por conta de toda sua multiplicidade, o Trombetas nos impõe, mesmo que sucintamente, apresentar um pouco de sua interessante história e composição natural. É rio integrante da bacia amazônica e é afluente da margem esquerda do rio Amazonas. Rio de águas negras, banha o Estado do Pará e, seus afluentes, têm nascedouro na Guiana e divisa com o Suriname.

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Tem extensão de cerca de 800 km de comprimento e é navegável em um trecho de aproximadamente 260 km, que vai da sua foz até a afamada cachoeira da Porteira, localizada no município de Oriximiná-PA.

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Nesse trecho é chamado de baixo Trombetas: é largo, calmo, com margens em terrenos planos e navegável por grandes embarcações.

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A partir dessa cachoeira passa a ser o alto Trombetas e a história muda. O rio se torna enérgico, de “águas bravas”, com severas corredeiras, trechos de água rasa, sinuoso. A navegabilidade é difícil e merece atenção redobrada das embarcações.

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Em determinados pontos abre-se em diversas ilhas e paranãs (braços de rios caudalosos, estreitos).

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Contudo, ainda mantém pontos de leito de rio profundo e manso.

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Sua importância ambiental é tão significativa que foi criada a “Reserva Biológica do Rio Trombetas”, uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, considerada pelos estudos ambientais, como sendo uma área extremamente relevante para a proteção de aves, mamíferos, biota aquática, macroinvertebrados e vegetação. O rio acolhe uma enorme diversidade, com grande endemismo.

A diversidade étnica também é intensa. É território ocupado por várias nações indígenas, tendo sido utilizado também como refúgio de vários grupos quilombolas na época da colonização, ao longo do século XIX e até os dias atuais. Por volta de 1.815, escravos fugidos das fazendas e cidades do baixo Amazonas refugiaram-se entre as comunidades indígenas da região, formando quilombos. Cuida-se de área de disputa entre essas comunidades (indígenas e negros), as empresas mineradoras e órgãos federais de preservação ambiental. Ali, firmaram-se os mais importantes mocambos do oeste paraense, configurando-se uma “Amazônia negra”.

A maioria da população residente em Oriximiná se dedica à exploração do enorme potencial castanheiro, da pesca e também mineração. Oriximiná, é o segundo maior município do Pará (ficando atrás somente de Altamira) e dizem ser o terceiro maior município do mundo.

Tivemos a oportunidade de conhecer somente a área do alto Trombetas, acima da cachoeira da Porteira. O rio encanta a cada piscada de olhar. Sua mata ciliar é densa, fechada. Passa a impressão de ser intocado.

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As pedras que guarnecem seu leito criam águas rápidas, rebojos e um cenário ímpar.

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Suas cachoeiras são imponentes e cospem para cima vapor d’água. A intensidade da água assusta na mesma proporção que seduz. Alguns trechos são extremamente perigosos e exigem que a embarcação seja manejada com zelo e sob os cuidados de guias experientes, nativos. Não é fácil vencer a potência da água em meio a tantos pedrais.

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Nenhum metro, nenhuma curva do Trombetas parece ser igual. A cada centímetro de sua extensão pode-se admirar algo novo, diferente. É um rio heterogêneo, desigual. É tudo, menos monótono.

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VIA CRUCIS PARA SE ALCANÇÁ-LO

É isso mesmo. Para se chegar ao Trombetas é necessária uma jornada. A nossa teve início no aeroporto internacional de Viracopos (Campinas-SP), com destino à capital do Amazonas (3 a 4h horas de voo). De Manaus, em uma aeronave de pequeno porte (Cessna Grand Caravan), voamos por mais 1h20, até aterrissar na pista de pouso lindeira à cachoeira da Porteira, onde está situada uma comunidade de Oriximiná.

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A próxima etapa é na boléia de um caminhão, adaptado para levar turistas e bagagens. Possui uma cobertura rústica e algumas poltronas acolchoadas. Por uma estrada de chão que corta a floresta, rodamos por mais 1h20.

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Atingimos um igarapé do Trombetas, que estava praticamente seco.

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As malas foram nas voadeiras junto com os guias, que têm o trabalho de transpor o pequeno curso d’água, em sua maioria arrastando o barco.

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Nós, pescadores, nos munimos de uma garrafa de água e respiramos fundo para encarar uma caminhada, numa trilha na selva fechada, com subidas e descidas, e duração de aproximadamente 40 minutos. Lá adiante, nos encontramos novamente com as voadeiras e então atingimos o leito do Trombetas.

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Mais 30 minutos de navegação até que finalmente pode-se bradar: chegamos!

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O TUCUNARÉ PORTEIRO – CICHLA THYRORUS

Antes de adentrar no assunto da pescaria propriamente dita, é imprescindível conhecermos um pouco dessa espécie interessante e endêmica. O peixe é, sem dúvida, o protagonista do alto Trombetas. Sua existência está limitada a dois obstáculos naturais (cachoeiras). O Tucunaré é encontrado acima da cachoeira da Porteira (por isso ele é chamado de Porteiro), não existe em nenhum outro local. O nome científico thyrorus provém do grego, que significa “porteiro”.

Seu corpo é mais robusto e menos longilíneo, é um peixe “quadrado”. Tem fama de ser um dos, se não o mais forte do gênero cichla.

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Sua potência muscular é atribuída ao ambiente que vive: águas rápidas, corredeiras. Tem que ser extremamente rápido e explosivo, pois se errar o bote, a água leva sua refeição embora. Sua coloração varia em tons de amarelo, dourado e cobre. Os machos maiores demonstram um amarelo mais intenso, iluminado. Também apresentam indivíduos na fase “paca”. Abandou as características barras verticais e desfila com destacadas manchas ocelares pretas ao longo do corpo, que se conformam em desenhos de cruzes. Tem marcas na bochecha e apresenta um vívido e malvado olho vermelho. O atual recorde mundial de peso é de 14lbs, ou aproximadamente 6,3kg (IGFA). Mas há relatos locais de peixes de até 8kg. Eis um sumário de sua identificação:

De fato, é um peixe único, admirável. Para pescá-lo, esqueça praticamente todo o aprendizado que angariou ao longo do tempo, sobre o comportamento desses ciclídeos. Ele dificilmente será encontrado em águas mansas, perto de troncos ou praias. Sua vida é pedra e turbilhão. Procura ficar de tocaia atrás de obstáculos (pedras), aguardado a descida de sua vítima.

O arremesso deve ser preciso e praticamente tocar a rocha. Ele costuma atacar encostado a ela, já na caída ou nos primeiros trabalhos da isca. Não tem medo de isca grande, o bicho é atrevido e imponente. Grandes e barulhentas zaras têm o condão de lhe provocar profundamente.

É tão explosivo que, não raras vezes, em sua primeira investida, manda a isca para alguns metros à frente, mas geralmente continua acompanhando e não costuma perder a viagem. Depois disso, empunhe a vara com firmeza, pois as arrancadas são vigorosas. O uso de um bom leader de fluorcarbon é imprescindível, pois fatalmente ele carregará sua linha até as pedras submersas.

A MULTIPLICIDADE DO TROMBETAS

Eu (Rodolfo Lenzi) e o Umberto Jacobs nos preparamos para pescar toda a gama e variedade de peixes possíveis. Levamos equipamentos para arremesso e também para pesca pesada dos grandes peixes de couro. Ao final da matéria você encontra a descrição completa dos equipamentos.

Na maioria dos dias começávamos com o baitcasting. Levou um tempo para nos adaptarmos às peculiaridades da pesca local. Aos poucos os peixes foram aparecendo.

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Tucunarés de diferentes cores, formatos e tamanhos. É incrível constatar que nenhum peixe é igual ao outro, cada tucuna parece ter sua pintura própria.

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Usamos e trocamos muito de isca até elegermos nossas preferidas, ou melhor, as preferidas pelos peixes. Iscas brancas com cabeça vermelha surtiram melhores resultados. As de sub-superfície e nado rápido, detonaram na produtividade. E, para mim, as zaras maiores, com ratlins fortes e barulhentos, foram as campeãs.

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Nos mesmos pontos podem ser fisgados os Tucunarés, Trairões, Bicudas, Cachorras, Jacundás, Piranhas, Pacus, dentre outros.

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Os Trairões são um show à parte. Todos que fisgamos, atacaram a isca dando uma pirueta no ar e, ao se aproximarem do barco, pulavam frenéticamente.

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O Umberto teve a oportunidade de brigar com um enorme exemplar, capturado na meia-água, um pouco antes do início de uma corredeira. Uma senhora briga.

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Meu maior Thyrorus foi capturado no final da tarde, em um remanso formado à frente de algumas pedras. Arremessei a isca, que se chocou contra a rocha, caiu na água e na primeira trabalhada, sentiu a fúria do Porteiro. Ainda em choque com a violência e o estrondo da pancada, pude ver minha isca ser lançada à frente. Continuei o seu trabalho e o segundo ataque foi fulminante. A grande isca de superfície ficou agarrada na boca do animal. A adrenalina aumentou quando o próprio guia, o experiente Diquinho, acostumado com aquele cotidiano, vibrou: esse é grande!

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O Umberto também teve sua chance e agarrou-a com unhas e dentes. Havia um paranã que passávamos todos os dias. Sempre tivemos ações de peixe grande, mas não conseguíamos pegá-los. Já sabíamos mais ou menos a faixa de rio e pontos que alguns grandões frequentavam naqueles dias. Em um desses trechos, ao lado de uma ilha e depois de algumas pedras, na água rápida, pudemos ver o peixe acompanhar a isca e, após uma “paradinha”, não resistiu e foi para cima das garatéias. Briga forte, vara envergada ao seu limite. Umberto também conseguiu ter fotografado seu belo exemplar.

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Outra espécie que pode ser encontrada é a Corvina. Por sugestão do guia, soltamos o barco em um grande remanso formado ao lado do leito do rio. Descemos verticalmente jigheads com isca soft e metal jigs até o fundo. Utilizamos a técnica da pindocagem. Capturamos algumas, com destaque para essa robusta prateada.

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Todo final de tarde era reservado aos peixes de couro e pesca apoitada.

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Nossas tentativas abrangeram inúmeras partes do rio, margens e também pedras em seu leito. Em um ponto tido por “concorrido”, amarramos o barco na confluência de águas vindas do curso principal e de um grande braço do Trombetas. Não foi preciso esperar muito para sentir minha linha ser carregada de forma impetuosa. Assim que fisgado, o peixe seguiu em arrancada rápida, constante, levando muitos metros de linha consigo para o meio do rio. Pelas características iniciais da briga, acreditei que se tratava de uma Piraíba. Ledo engano, a colorida Pirarara era a esfomeada da vez. Peixão brigou como gente grande e mereceu o cenário em que foi fotografado.

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Em determinado dia tentamos buscar os bagrões pela manhã. Depois de transpormos a corredeira mais tensa da viagem, alcançamos um sorvedouro, formado pela violência das águas.

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Em questão de minutos o Umberto teve uma ação, mas a vara estava no secretário e não foi possível fisgar corretamente o peixe. Nova oportunidade e o peixe levou a linha para um enrosco.

Na terceira chance – tudo isso em menos de 30 minutos – consegui cravar o anzol na boca do glutão. Em instantes ele conseguiu se meter em meio à uma loca. Com o barco solto e girando sobre o local, foi possível tirar o bicho de seu esconderijo.

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Briga intensa e enérgica, até que surge uma enorme mancha negra vindo do fundo. Era um baita Jaú, que esgotou as forças do pescador. Não poderia esperar tão respeitoso troféu. Obrigado, Trombetas.

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A pescaria foi extremamente prazerosa e interessante. Os dias voaram. O rio, os peixes e seus comportamentos pareciam mudar a cada nascer do sol. Nunca imaginávamos qual seria o saldo final do dia.

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Mas, em todos eles, assistíamos ao pôr do sol boquiabertos, deslumbrados com o que a natureza nos proporcionava.

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Mural das lamentações da pousada.

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Algumas fotos dos amigos que nos acompanharam:

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EQUIPAMENTOS

BAITCASTING:

– varas de ação rápida/extra rápida, de 17 a 20 lbs, 5.6 a 6.0 pés;

– carretilhas de perfil baixo e de recolhimento rápido

– linhas multifilamento de 30 a 40 lbs;

– leader de fluorcarbono de 40 lbs;

– snaps reforçados;

– iscas: superfície (prefiras as mais barulhentas), sub-superfície, meia-água, jigs de pena e softs;

cores: cabeça vermelha e corpo branco, osso e verde;

tamanho: iscas médias a grandes (09 a 15 cm)

PEIXES DE COURO:

– varas pesadas, de 40 a 80lbs, de 6.0 pés para mais;

– carretilhas perfil alto ou molinetes grandes (8.000);

– nas carretilhas: linha mono de 0,80 a 0,92mm

– nos molinetes: linha multifilamento de 100lbs e um leader de 3 a 5 metros de linha mono 1,0mm ou fluorcarbono 80lbs;

– anzol: 10/0 encastoado;

– isca: pedaços de peixes

O QUE LEVAR

– protetor solar

– óculos de sol

– boné/chapéu

– buff

– atadura

– baterias extras para câmeras

– alicate de bico e contenção

– capa de chuva

– repelente (se você for muito exigente, mosquitos não incomodam)

NÃO LEVAR

– material de pesca em excesso (limitações em voo e de excesso de esforço para transporte)

– chumbadas (as pousadas oferecem)

– iscas pequenas

É isso aí. Abraços e boas pinchadas!

Imagens: Rodolfo Lenzi e Umberto Jacobs

Texto: Rodolfo Lenzi

AGRADECIMENTOS

Loja Pró Pesca Shop – www.propescashop.com.br

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