TRÊS MARIAS – LUGAR DE TUCUNARÉ BRUTO!

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Nossa primeira vez na represa de Três Marias não poderia ter sido melhor. A pescaria, exclusivamente de iscas artificiais, não rendeu tantos peixes quanto os pescadores sempre querem, mas, nos presenteou com belos exemplares, entre eles, um potencial record mundial por peso! 

 

 

 

 

Há anos ficava bisbilhotando fotos por aí, em redes sociais, fóruns de pesca, revistas, etc. Sempre me deparava com imagens de Tucunarés Azuis com colorações, digamos, diferenciadas.

Alguns eram bem claros, opacos. Outros se mantinham no padrão encontrado em vários represamentos e, ainda, alguns outros eram mais peculiares, manchados, tendendo às algumas características do Amarelo. O que chamava atenção também era a tonalidade da água, sempre verde, um verde esmeralda. Era essa, então, a visão que eu tinha de Três Marias.

As imagens sempre instigaram a vontade de conhecer o local, mas, vários anos foram necessários para que a investida se concretizasse. Depois de ter pescado em consagrados redutos de Tucunaré Azul, tais como as represas que divisam os Estados de SP e MS, Lago do Peixe e Serra da Mesa, era chegada a hora de experimentar as emoções de Três Marias. Conversando com o Umberto Jacobs, nos indicaram o guia Jefferson. Breve contato e estava fechada a pescaria de três dias.

O REPRESAMENTO DE TRÊS MARIAS

A represa de Três Marias, que é uma das principais – e foi a primeira – usina hidrelétrica do Estado de Minas Gerais, abriga as águas do rio São Francisco. Inaugurada no ano de 1.962, a barragem tem 2.700 metros de comprimento e forma um reservatório de 21 bilhões de metros cúbicos de água, a 2.221 km acima da foz do rio.

Está localizada na parte central de Minas Gerais e cobre boa parte de seu sertão. Compreende os municípios de São Gonçalo do Abaeté, Felixlândia, Morada Nova Minas, Biquinhas, Paineiras, Pompéu, Martinho Campos e Abaeté, além de, obviamente, Três Marias.

A represa de Três Marias já passou por maus bocados e enfrentou períodos críticos nos últimos anos, principalmente por causa do pequeno volume de chuva em Minas Gerais. Em 2014, por exemplo, o volume total da represa chegou a 2,57%. Atualmente, o volume útil final está em aproximadamente 30%. Ainda assim, a represa revela muita imponência e impõe respeito.

O ALVO: O TUCUNARÉ

O principal alvo dos pescadores que visitam a região é, sem dúvidas, o Tucunaré. As notícias são de que, inicialmente, somente foram introduzidos os da espécie popularmente conhecida como Amarelo (cichlakelberi) e, após um bom tempo, é que realizaram o peixamento do Azul (cichlapiquiti).

O Azul, por força da qualidade e temperatura da água, em pouco espaço de tempo já alcançou expressivo tamanho. Os guias relatam capturas de exemplares de até 6 kg. Exemplares entre 4 e 5kg, na faixa de 55 a 65 cm de comprimento são avistados com certa frequência.

Hoje é possível a captura de ambas espécies e, ainda, cogita-se a possibilidade da existência de um padrão híbrido (cruzamento do Azul com o Amarelo), uma vez que são fisgados peixes com características de ambas espécies, formando padrões “misturados”. Conforme já dito, o Tucunaré de Três Marias é muito versátil no que diz respeito à sua coloração, manchas, barras, spots e etc. A variedade é incrível.

A PESCARIA

Agora entra a parte em que um guia capacitado torna-se peça fundamental para o sucesso da pescaria. Contratamos o Jefferson, excelente guia local, experiente e que trabalha com ânimo e dedicação.

Além disso, oferece aos clientes um belíssimo barco, do tipo “bassboat”, equipado com potente motor de popa e moderno motor elétrico. Nada como pescar no conforto e se deslocando rapidamente entre os pontos de pesca. O pescador fica até mal acostumado.

A noite anterior ao início da pescaria é a oportunidade perfeita para encher o guia de pesca com perguntas. Como está a represa? Está saindo peixe? Pegou bastante esses dias? Qual isca está dando melhor resultado? Dentre outras. O guia foi honesto. Estava há uma semana sem pescar, relatou boas capturas, mas não nos ludibriou com esperança de realizar a pescaria da vida.

A pescaria iniciou-se cumprindo com as previsões do guia. Pouca ação, mas conseguíamos capturar alguns pequenos exemplares.

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Um bonito amarelo!

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Como de costume, seguimos a tática de pescar com iscas de meia-água e fundo na popa e, quem estivesse na proa, ficava responsável por atiçar os bocudos, com iscas de superfície.

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A maior produtividade ficou por conta das twich-baits (que apresentam nado errático) e as iscas softs, usadas com anzol offset lastreado.

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O peixe estava manhoso na superfície. Na maioria das vezes somente rebojava atrás das iscas ou, quando no máximo, atacavam somente uma vez, sem demonstrar sua voracidade peculiar.

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Pescamos três dias no total. Em todos eles, degustamos no almoço um saboroso churrasco, comandado pelo próprio guia. Ainda sobrava um tempinho para repousar o corpo na rede e contemplar a imensidão de águas.

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Notamos que os peixes estavam mais ativos em bicos de ilhas e fundos de grotas, mas que apresentavam intensa vegetação que dominava água, uma espécie de espinheiro denso. A maioria das ações foram sentidas em locais dessa natureza. As pauleiras, mais isoladas, pareciam não ser a opção dos Tucunas naquela ocasião.

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Outra peculiaridade é que pudemos ver e pescar muitos peixes que estavam em águas extremamente rasas e limpas. Era como avistar um peixe em sua piscina. Três Marias apresenta uma visibilidade sem igual em determinadas áreas.

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O corpo chegar a tremer com a adrenalina despejada ao se avistar um grande Azul passeando bem ali na sua frente.

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Como em qualquer pescaria, também tivemos ações de grandes peixes que, caprichosamente, preferiram não dar o ar de suas graças para nossas câmeras. Teve garatéia aberta, linha estourada e peixe que explodiu como um Açu, só para nos deixar angustiado. Com a insistência – que é pré-requisito para se pescar essa espécie – começamos a ter bons resultados.

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Os peixes que emprestaram fama à Três Marias finalmente começaram a dar suas caras.

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Parece clichê no mundo da pesca, mas, no último dia, na última tarde, veio o troféu. O guia apontou para algumas estruturas no meio do lago. Chegando mais próximos pudemos constatar que se tratava de uma grande ilha. Ao seu redor águas totalmente cristalinas e estruturas de galhos e vegetações esparsas.

O guia, em determinado momento, subitamente, ficou afoito na proa da embarcação, enfatizava: “isca de meia-água, joga, joga, joga logo!”. Quando olhamos para atrás de um tronco caído, pudemos ver dois grandes Tucunarés Azuis, um casal. Arremessei uma twichbait e pude assistir de camarote o peixe atacar e se fisgar. Infelizmente, acabou escapando.

Instintivamente, peguei meu outro conjunto, montado com uma isca soft e arremessei próximo ao outro exemplar, que era ainda maior. O local não tinha mais que um metro de profundidade. A isca chegou rápido ao substrato e, após algumas trabalhadas, bem pausadas, o Azulão abriu toda sua bocarra, sugou a isca e virou o rosto. Foi a hora da fisgada certeira! A briga, das boas, por sorte, foi por mim vencida. A euforia de embarcar um peixe desses é contagiante, o barco todo vibrava com aquele Azulão!

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Peixe lindo, imponente!

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Pesou 11 libras (5kg aproximadamente) e mediu 64 centímetros.

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Não havia como se despedir de melhor forma de nossa estreia em Três Marias. Que pescaria, que peixe!

EQUIPAMENTOS

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Utilizamos: – Varas: de ação rápida e extra rápida; comprimento de 5.3” até 6.6”; de 17 a 20 lbs;

– Carretilhas: de perfil baixo e alta performance;

– Linhas: multifilamento de 30 e 40 lbs;

– Leador: fluorcarbono de 40 lbs;

– Iscas: plugs de meia-água, twichbaits, superfícies e hélices.

Abraços a todos e boas pinchadas!

Imagens: Rodolfo Lenzi e Umberto Jacobs

Texto: Rodolfo Lenzi

AGRADECIMENTOS

Vida de Pescador – www.instagram.com/vidadepescador

King Fishing – www.roupasdepesca.com.br

King Brasil – www.kingbrasil.com.br

As Matadeiras – www.facebook.com/asmatadeiras

JRPESCA – www.jrpesca.com.br

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