A REALIDADE DE SERRA DA MESA!

SERRAMESAUMB02

Nosso pescador Umberto Jacobs, acompanhado de sua namorada, Grazielle Lenzi, exploraram pela primeira vez o tão falado lago de Serra da Mesa. Muito cobiçado pelos pescadores durante anos, o local mostrou evidências de que passa por tempos difíceis. A preservação é a única saída para o lugar voltar a ser destaque.

 

 

 

Olá amigos.

Sempre tive vontade de conhecer o afamado lago de Serra da Mesa. Acredito que não há um pescador esportivo que nunca tenha ouvido falar daquelas águas e de seus peixes. A região, que outrora era vista como a meca do Tucunaré Azul, hoje em dia sente os reflexos da pesca predatória. O nível das águas, também, ainda não se recuperou depois da grave seca de 2014. A pesca, como se pode prever, não foi das mais fáceis.

Data da pescaria: 21, 22 e 23 de abril de 2016.

O ACESSO

O lago de Serra da Mesa é enorme. Há várias pousadas e pontos que podem ser explorados. Obviamente, os mais afastados tendem a ser mais piscosos.

Nessa ocasião, optamos, Grazielle e eu, em fazer a pescaria na região da Serra Negra, um ponto mais afastado da urbanização. Ficamos hospedados na pousada que recebe o mesmo nome: Pousada Serra Negra.

Voamos de Viracopos à Brasília. De lá, locamos um carro e percorremos o último trecho, até as margens da represa, no município de Niquelândia – GO. No total, da capital até a pousada, são cerca de quatro horas de viagem em boas estradas (inclusive o último trecho não asfaltado).

SERRAMESAUMB01

A POUSADA

A pousada, sob comando do Júnior, é simples, mas bastante acolhedora. Os barcos são espaçosos e com boa motorização. A comida caseira é de muito boa qualidade, o pessoal é muito prestativo e faz o que tiver ao alcance para ajudar.

A PESCA

A ideia era pescar com iscas artificiais. Pesquisei bastante na internet quais eram as “matadeiras” e fui armado. O primeiro dia de pesca amanheceu ventando muito. A navegação estava complicada e a pesca mais ainda.

As iscas de superfície ficaram no banco de reservas e as de meia água entraram em cena. Depois de uma extensa série de arremessos, foi possível perceber que a pescaria não seria das mais fáceis.

Insistíamos numa região conhecida localmente como “Palmeirinha”. O local era bonito, com muitas estruturas e água cristalina.

Depois de muita insistência, um Tucunaré de bom porte atacou a YoZuri Flat Shallow Crank, isca que estreava naquela ocasião. Infelizmente, foi o peixe que venceu a batalha. Com um salto, foi ele para um lado e a isca para outro.

Aquela ação renovou os ânimos, mas a situação não mudou. Arremesso atrás de arremesso, as iscas nadavam sem interrupção. Nem mesmo os pequenos davas as caras.

Ao final do ponto de pesca, perto das 11h00, consegui capturar um Tucunaré. Finalmente!

SERRAMESAUMB02

Retornamos para o almoço na pousada. A grande maioria dos pescadores que frequentavam a pousada também relataram más condições de pesca.

CONFIRMANDO A SUSPEITA

O tempo estava bom, o vento diminuiu bastante e o sol estava forte. Nosso guia insistia para pegarmos iscas vivas, em busca de melhor sorte. Embora não tenha nada contra a pesca com iscas vivas, todos sabem que com as artificiais a coisa é bem mais divertida.

No período da tarde, a suspeita de pesca difícil se confirmou. A Grazielle conseguiu seu primeiro peixe depois de quase um dia completo de pesca, um Tucunaré de 15 cm.

No fim da tarde eu ainda consegui capturar mais um. Durante a briga, notamos que estavam em casal, mas não conseguimos fisgar o segundo.

SERRAMESAUMB03

Assim encerrou-se o primeiro dia de pesca. Cansados de tanto trabalhar iscas, retornamos à pousada para o merecido descanso.

O segundo dia de pesca foi ainda pior. Durante o dia inteiro trabalhamos as mais variadas iscas, das mais variadas formas e absolutamente nada aparecia. A frustração era grande, mas a paisagem do local compensava a dificuldade da pescaria.

SERRAMESAUMB04

SERRAMESAUMB05

ALTERAÇÃO DA ESTRATÉGIA

Depois do segundo dia de pesca, que passou praticamente em branco, optamos por tentar a pesca com as iscas vivas. A produtividade desse tipo de pesca é reconhecidamente maior, mas sem a ação e a esportividade das iscas artificiais.

Pegamos cerca de 60 Lambaris. O anzol era armado diretamente na linha de fluorcarbono, embaixo de uma pequena chumbada. O barco era amarrado às galhadas e descíamos a isca, sem arremessar. Naquela pesca eu pude atestar a profundidade do lago. Em locais que aparentavam ser relativamente rasos, a isca descia por um bom tempo até tocar o fundo. A profundidade média era de seis a oito metros, com locais consideravelmente mais fundos, chegando aos vinte metros.

Surpreendentemente, aquela pesca também estava devagar. Ponto após ponto, nenhuma ação acontecia. Por volta das 10h30 o primeiro peixe apareceu. Não era o esperado Tucunaré, mas era um belo Jacundá, que naquela região é chamado de Mariana.

SERRAMESAUMB06

A manhã terminou daquele jeito, com um peixe fisgado. Após o almoço, a situação não mudava.

A SURPRESA

O terceiro e último dia de pesca se aproximava do fim, assim como nossas esperanças. Trocávamos de ponto sistematicamente e nada aparecia. O sol já começava a baixar, quando cruzamos com outro barco da pousada. O outro guia sinalizou para um ponto, onde aparentemente havia ação de peixe.

Amarramos os dois barcos em lados distintos do braço da represa. Descemos as iscas e em questão de poucos segundos uma forte pancada na isca noticiava o Tucunaré na ponta da linha. Assim que a isca da Grazielle chegou à profundidade correta, outro. E outro, outro, outro…

SERRAMESAUMB07

SERRAMESAUMB08

SERRAMESAUMB09

Em questão de meia hora, embarcamos mais de trinta Tucunarés, todos naquela mesma galhada.

SERRAMESAUMB10

SERRAMESAUMB11

SERRAMESAUMB12

A profundidade do ponto era tanta, que muitos dos peixes vinham com a bexiga natatória inflada, coisa que eu só tinha visto em pescarias de água salgada. Ao fazer a soltura, os peixes tinham dificuldade de retornar às profundezas do lago. Voltavam à superfície e ficavam de barriga pra cima, uma cena não muito agradável de se ver.

Alguns deles, com nossa ajuda conseguiam retornar ao habitat, alguns deles, infelizmente, não.

Depois de um verdadeiro bombardeio de ações, as iscas acabaram. A pescaria de três dias foi resolvida nos quarenta minutos finais. A despeito de não ter sido o resultado que esperávamos, da dificuldade nas capturas com iscas artificiais, essa surpresa final melhorou, e muito, o resultado geral da pesca.

SERRAMESAUMB13

SERRAMESAUMB14

CONCLUSÃO

Foi bom conhecer o lago de Serra da Mesa. A paisagem é maravilhosa, mas a falta de preservação dos peixes é visível. Ao conversar com os guias e outros habitantes locais, notava-se que os próprios pescadores locais exploram o lago de forma predatória.

Ainda há no local uma boa quantidade de peixes, mas em proporção muito diferente do que já houve um dia. Quem já pescou por lá no passado, conta histórias de memoráveis pescarias de Tucunarés Azuis com iscas artificias, de grandes troféus capturados e do potencial de pesca daquela região.

Nada disso está extinto permanentemente. O peixe está por lá, só precisa de um pouco de paz para se reproduzir e se desenvolver até a vida adulta plena. Isso só é possível com uma coisa: PRESERVAÇÃO.

O pesque e solte tem que ser praticado, para que a Meca do Tucunaré Azul volte a ser classificada como um dos mais piscosos peixes dessa amada espécie.

Agradecemos, Grazielle e eu, ao pessoal da pousada, por nos receberem com boa hospitalidade. Ao nosso guia, Rui, por ter feito o possível para que a pesca tivesse sucesso. Aos novos amigos que fizemos, em especial: Decio, Sr. Amauri e seu filho, Renato.

TRALHAS

UMBERTO

– Vara Gloomis GL2 5’8, 20lb + Shimano Scorpion 1501XT + Power Pro 30lb + Líder Fluorcarbono MS Vexter 0,40mm.

– Vara MS Liger 5’4, 15lb + Shimano Antares DC7LV + Power Pro 30lb + Líder Fluorcarbono MS Vexter 0,40mm.

– Vara Daiwa Procyon 6’0, 17lb + Shimano Metanium XG + Power Pro 30lb + Líder Fluorcarbono MS Vexter 0,40mm.

GRAZIELLE

– Vara MS Corsa 5’6, 17lb + Shimano Chronarch CI4+ 151HG + Power Pro 30lb + Líder Fluorcarbono MS Vexter 0,40mm.

– Vara Shimano Clarus 5’4’, 17lb + Shimano Chronarch 101SF + Power Pro 30lb + Líder Fluorcarbono MS Vexter 0,40mm.

– Vara Braspon 5’6, 14lb + Molinete Shimano Sahara 2500 + Power Pro 20lb + Líder Fluorcarbono MS Vexter 0,40mm.

Um abraço e até a próxima.

Imagens: Umberto Jacobs e Grazielle Lenzi

Texto: Umberto Jacobs

AGRADECIMENTOS

King Fishing – www.roupasdepesca.com.br

King Brasil – www.kingbrasil.com.br

Penn-Raiba Carretilhas – www.pennraiba.com.br

As Matadeiras – www.facebook.com/asmatadeiras

JRPESCA – www.jrpesca.com.br

Você pode deixar um comentário, ou fazer um trackback para o seu site.

1 Comentario to “A REALIDADE DE SERRA DA MESA!”

  1. Pousada Serra Negra disse:

    Então!
    Foi notório a dificuldade encontrada devido ao mal tempo, mais pesca é isso, as situações mudam muito rapidamente, por isso que a torna incrível as aventuras nas águas.
    Esperamos poder recebe-los em uma próxima oportunidade para que possam ter mais êxito por aqui, e consequentemente poder reescrever novos relatos sobre Serra da Mesa.

Deixe um comentario