LA ZONA – PAREDES DOURADAS!

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Pela primeira vez estivemos no lugar mais famoso do mundo quando o assunto é Dourado! O Loucos por Pesca, representado pelo Rodolfo Lenzi, foi conhecer La Zona, na Argentina. Apesar de pescar na baixa temporada, grandes Dourados estiveram conosco nas margens do Rio Uruguai. 

 

 

 

Olá pescadores.

Desafio qualquer pescador esportivo a dizer que não conhece La Zona. Esse destino, na cidade de Concordia, na Argentina, é mundialmente famoso por abrigar o maior número de recordes de grandes Dourados já homologados por entidades oficiais. Se existe o paraíso dos Dourados, não hesito em dizer, esse é o lugar.

Após um convite dos amigos Paulo Pereira e do Leandro Russo, eu (Rodolfo Lenzi) e meu irmão, Heitor Lenzi, passamos a integrar um grupo de minha cidade, que iria pescar na famosa La Zona. Além de nós também estavam: Guilherme, Rodrigo e Clóvis Savariego, Gerson Zuliani, Carlos Barbosa, Valdir Steula, Darci Torres e Beto.

AFINAL, O QUE É LA ZONA?

La Zona é uma reserva ictiológica. Cuida-se de uma área do rio Uruguai, formada logo abaixo da barragem de Salto Grande, protegida por rígidas restrições. É dividida entre território argentino e uruguaio e é cuidadosamente fiscalizada pelas autoridades de ambos países. Para poder nela adentrar, é necessário um prévio cadastro com o nome e RG do pescador, dentre outros dados.

Para viabilizar a pescaria nesta reserva realizou-se um programa binacional (Argentina e Uruguai), que contempla estudos biológicos, investigação científica, devolução obrigatória do pescado, conservação do meio ambiente e dos meios de reprodução do Dourado.

Em La Zona o Dourado encontrou um ambiente incomparável para crescer e alimentar-se até alcançar tamanhos praticamente inigualáveis. A conservação dessa reserva, aliada à ininterrupta fiscalização, ao longo de mais de mais uma década, proporcionam uma experiência singular na pesca do Dourado. Não há nada igual no mundo. É a Meca dos grandes Dourados.

A POUSADA LA ZONA LODGE

A La Zona Lodge é uma pousada que existe há pelo menos treze anos nas proximidades da cidade de Concordia, Argentina. Está cercada de belos gramados, árvores e pinheiros.

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É uma estrutura rústica e ao mesmo tempo sofisticada. As instalações foram adaptadas para receber o pescador com conforto e com algumas doses de requinte.

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O ponto alto é a culinária de alto padrão.

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Os pratos servidos são realmente muito apreciáveis. Os funcionários também não medem esforços para agradar o turista.

SIM, AQUI VOCÊ PODE PESCAR NA BARRAGEM

Se aproximar da barragem e ficar aos pés daquelas assustadoras paredes de concreto, flutuando em águas turbulentas, em meio às comportas e turbinas, é algo surreal. As palavras não definem, à perfeição, o que é estar naquele local, defronte a algo tão grandioso e, na mesma medida, perigoso.

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A imponência daquele gigantesco aparato de concreto causa um mix de sensações no pescador: espanto, medo, admiração, mas, sobretudo, esperança! É de lá que esperamos que saia aquele monstro de cores reluzentes, que testará à exaustão a fricção da carretilha.

A BAIXA TEMPORADA

Nossa pescaria se deu no final do mês de agosto de 2015, o que é considerado período de baixa temporada. Os motivos para isso são vários: água alta e instável, frio e vento castigantes, peixe com pouca atividade e ainda não há a grande concentração dos Dourados e de cardumes de alimento, tais como as Piaparas.

Até uma semana antes de nossa ida, ainda havia a possibilidade – e era grande a chance – de cancelamento de nossa pescaria, pois o rio abaixo das comportas, nessa época, oscila diariamente e em grandes amplitudes. O controle de vazão da água interfere diretamente no comportamento do Dourado.

Sabíamos que seria uma pescaria difícil. Nossa sorte era de que se tratava de La Zona. É que, por mais que as condições sejam as mais adversas possíveis, a séria preservação daquela área sempre te garantirá um sorriso no rosto e, pelo menos, uma linha estourada.

SISTEMA DE RODÍZIO

Somente podem adentrar na reserva dois barcos por período (dois de manhã e dois à tarde). Em cada barco, podem ir de dois a três pescadores. De manhã, pesca-se das 8h00 até as 12h00. No período da tarde é das 15h00 até as 18h00. Nosso grupo era composto de doze pescadores, divididos em quatro trios.

Dois grupos pescavam de manhã e dois após o almoço. No dia seguinte, invertia-se a ordem. Num total de quatro dias de pescaria, na verdade, cada pescador acabaria pescando somente o equivalente a dois, em La Zona. Há sempre a possibilidade de pescar os dois períodos e somente em duplas. Tudo depende da sua disponibilidade financeira.

Também é possível pescar abaixo da reserva, entretanto, nessa época, as ações eram escassas e somente de pequenos peixes. Para os agoniados é sempre uma oportunidade.

DOURADOS EMPAREDADOS

Iniciamos a pescaria com iscas artificiais, com arremessos. Nas margens cheias de pedras, usamos os grandes plugs de barbelas em formato de “L”. No meio do rio, lançávamos as iscas de barbelas longas, usadas em corricos oceânicos.

No primeiro dia, tudo é novidade. É preciso observar e aprender como funciona a pesca no local e qual é o comportamento do peixe. A ansiedade era inquietante, mas a decepção foi total. Pouquíssimos peixes fisgados e não mais pesados que 4 kg.

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Segundo dia, invertido o horário de pescaria, as coisas poderiam mudar. Sim, melhoraram, mas nem tanto. Resolvemos tentar usar as Tuviras de isca também. Mesmo assim, continuei no Dourado pequeno.

Alternávamos as tentativas entre as beiradas de pedras (tanto do lado Argentino, quando do Uruguaio), as paredes das comportas e os “buracos” das turbinas.

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De uma distância segura, arremessávamos em direção a uma das armações de concreto, que sustentavam uma turbina.

A técnica era a seguinte: assim que arremessado, soltava-se mais linha para que a própria correnteza se encarregasse de levar a isca ao peixe. Aqueles enormes rebojos de águas velozes retiram a linha da carretilha, enquanto o pescador segura a vara com concentração militar.

Em um desses momentos que empunhávamos a vara como se estivéssemos na trincheira, pronto para atirar, Heitor sentiu sua linha disparar em direção à parede. Com linha multifilamento, a resposta foi imediata.

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O peixe afundou levando consigo a linha nas costas. Após uma briga digna de peixe grande, aparece o primeiro grande emparedado.

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Nosso parceiro de barco Carlos, não deixou por menos e também fisgou alguns excelentes exemplares.

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Terceiro dia. Metade da pescaria já tinha se passado. Confesso que eu estava tão preocupado, quanto frustrado. O pior era ter plena ciência de que ali tinha muito Dourado. A todo o momento era possível vê-los “golfinhando” por todos os lados, é uma cena sem igual.

Por sorte, o destino havia nos reservado o melhor para o final. Quer dizer, da metade para o final. Começamos rodando nas margens. Pouco tempo de pescaria, já engatei um rabugento amarelo.

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Em se tratando de La Zona, os peixes estão por todos os lados. Aparecem dos mais inusitados lugares. Mas, tendo aprendido um pouco sobre o comportamento dos Dourados, aguardava o momento certo para efetuar o arremesso matador: um pouco acima da cabeça de alguma pedra. Ou eles estavam na frente dela, ou logo atrás. Dito e feito. Mais um caprichado Dourado, de porte similar ao anterior.

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Mudamos o sistema e, cuidadosamente, o guia nos aproximou do turbilhão novamente. Segurando a lancha com o timão e o motor engatado, enquanto a embarcação rebolava nas águas violentas, o guia, já íntimo do “portunhol”, soltou um: puede jogar!

A isca foi lançada e puxou linha até – literalmente – bater na parede. Alguns segundos depois, senti uma forte cabeçada seguida de uma corrida de peso pesado. Depois de fisgado, o peixe não saltou como de costume.

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O guia foi trazendo a lancha para longe das estruturas, oferecendo um combate franco e limpo. Somente perto do barco, o Douradão resolveu revelar sua majestade.

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Quando ele se jogou para além da superfície, todos do barco vibraram.

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Aos poucos ele foi se rendendo!

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Era, enfim, um legítimo morador de La Zona.

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O Dourado foi liberado com todo cuidado que ele merece.

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Enquanto rodávamos pelo leito do rio Uruguai, foi a vez do Heitor. O bonito Rei bem que tentou, mas não conseguiu se desvencilhar do anzol. Logo ele veio aos braços do pescador. Um belo Dourado!

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Note a marca com um contorno de circunferência em seu lombo, próximo à cabeça. Provavelmente algum outro Dourado, com status de recorde mundial, tenha lhe perseguido por alguns instantes.

Para fechar aquele dia com chave de ouro, na mais literal das intenções, rodando ainda pelas águas rápidas do meio do rio, Heitor novamente não perdoou a investida do Dourado.

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O peixe não era muito comprido, mas era compacto e bem alimentado. Uma parruda barra de ouro.

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Último dia e esperanças renovadas. Todos já tiveram grandes peixes nas mãos. Pescador gosta de dizer que agora “o que vier é lucro”. É uma maneira de se livrar da pressão que nossa própria expectativa criou. Dessa forma, pescamos com o espírito mais leve e o resultado nunca decepciona.

O guia rumou o barco para o lado uruguaio e nos deixou à deriva para explorar as pedras que margeiam. No primeiro arremesso, percebi a linha correr em direção contrária à correnteza. Recolhi rapidamente a linha até sentir o peixe e tome fisgada. Quase que instantaneamente, o mesmo acontece com o Heitor. Estava ali um dublê de irmãos.

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Tentamos achar algum interessado nas paredes, mas pareciam que não estavam mais ali. Seguimos então para o lado esquerdo, de quem olha de frente para a barragem. É a porção argentina da represa. Procurando ainda as cabeças de pedras próximas às margens, garanti mais alguns belos exemplares.

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Naquela última tarde, fui agraciado com memoráveis batalhas.

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Com o pôr do sol colorindo aquilo que já reluz por natureza, travei mais dois belos embates.

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Os Dourados pareciam imensas joias que faziam os olhos do pescador brilhar.

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Por fim, um último Douradinho. Curiosamente com a mesma marca circular em seu lombo.

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Já presenciei cenas de “canibalismo” entre Dourados em Paso de La Patria. Considerando o porte dos Dourados de La Zona, é bem provável que esses relativamente pequenos, tenham constante receio de virar alimento.

Não vou nem salientar as linhas multifilamento de 80lbs rompidas. Tampouco os reforçados anzóis simplesmente quebrados ao meio. Deixarei que a imaginação te conduza até sua pescaria naquela reserva. La Zona é incomparável e, em meio a tantas palavras, ainda assim, continua indescritível.

Aqui vão alguns registros dos parceiros de pesca, com seus Douradões.

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LA ZONA BRASILEIRA?

Só existe um local assim, no mundo todo? A resposta é não, mas com ponderações. La Zona é composta pelos seguintes aspectos: barragem artificial, rio habitado por Dourados, pesca consciente e responsável, legislação ambiental efetivamente protetiva, fiscalização, política progressista.

No Brasil, em tese, poderíamos desfrutar de várias La Zonas. Temos inúmeros e grandes cursos hídricos obstados por barragens hidrelétricas. A maioria deles tem o privilégio de ter o rei o do rio em suas águas. O que falta então? Todo o resto já citado.

Falta o pescador brasileiro tomar consciência de que é necessário preservar – e não matar – determinadas espécies. Falta um Poder Legislativo realmente interessado em resolver as sequelas ambientais nacionais.

É preciso que o governo se livre da miopia, abra os olhos e veja que é possível obter receita com concessões de pesca dessa natureza. Falta interesse público em criar um programa de estudo e proteção da espécie. Infelizmente, falta muito. Temos os recursos, mas não temos o controle.

TRALHA UTILIZADA

VARA – De ação rápida/extra rápida, de 6.6 a 7 pés, de 30 a 40 lbs;

CARRETILHA – De perfil baixo, com grande capacidade de armazenamento de linha;

LINHA – Multifilamentos de 65 a 80 lbs;

ANZOL – 8/0 de haste longa, encastoado com cabo de aço de 90 a 120 lbs e giradores compatíveis;

ISCAS ARTIFICIAIS – Grandes plugs de meia água e profundidade.

Abraços e boas pinchadas!

Imagens: Rodolfo Lenzi, Heitor Lenzi e amigos

Texto: Rodolfo Lenzi

La Zona Lodge

Concórdia/Argentina – Província de Entre Rios 

www.lazonalodge.com

AGRADECIMENTOS

Loja Corricos – www.corricos.com.br

King Fishing – www.roupasdepesca.com.br

King Brasil – www.kingbrasil.com.br

Penn-Raiba Carretilhas – www.pennraiba.com.br

As Matadeiras – www.facebook.com/asmatadeiras

JRPESCA – www.jrpesca.com

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4 Comentarios to “LA ZONA – PAREDES DOURADAS!”

  1. Adriana disse:

    Linda matéria !!!
    Parabéns Rodolfo e Heitor pela pescaria !

  2. Grande Rodolfo, belíssimas fotos, excelente texto e espetaculares dourados! Um sonho, parabéns. Um abraço a você e a todos do Loucos.

  3. CRISTIANO disse:

    Lugar realmente maravilhoso para a pesca de dourados,mas com um preço absurdamente alto…Infelizmente um sonho ainda distante da maioria dos pescadores esportivos brasileiros.

  4. Chico disse:

    Vc pode informar os custos fora as despesas de viagem? Sabe se abaixo da Zona na alta temporada tem muitos peixes?essas duas empresas por terem exclusividade na area exploram o pescador sendo assim sabe se tem outros que fazem o pacote abaixo da zona?? Obrigado.

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